quinta-feira, 14 de abril de 2011


Ainda estou lembrando os minutos atrás. De quando você estava indo embora, olhou da escada e perguntou pro seu amigo: não tô esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui seu. Eu já era seu antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer. E você me olhou daquele jeito fofo que você sempre olha o mundo e eu me esqueci de como respirar. Você deu tchau e eu quase te pedi tantas coisas. Não faz isso. Não me olha assim.  Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é só um garoto diferente. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu sorriso é tão gigante.  Não me deixa assim, suspirando pelos cantos, só porque suas bochechas estão tão rosadas que me dão vontade de morder. Não solta o seu “Hum!?” ou o seu “Beleza!” só porque sussurrei seu nome. Não transforma assim o mundo em um lugar tão mais bonito e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso e que nenhuma palavra que saia da sua boca seja em vão. Tento absurdamente me convencer de que isso que sinto não é amor, mas também não sei o que é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. Aquele cara mais velho, e aquele outro com charme de galã, o outro que toca bateria, e aquele outro que faz Cinema, aquele outro casado, e aquele outro da festa, e aquele outro amigo daquele outro. E todos aqueles outros viram formiguinhas de nariz vermelho. E eu tenho vontade de ligar pra todos eles e falar: putz cara, você acha mesmo que eu gostei de você? Coitado. Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque esses coitados todos só serviram pra me lembrar o quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande moleque. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo. Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre. E eu soquei meu coração até ele diminuir, só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de colega de trabalho indiferente, só pra ter você aqui sem medo. Medo de me confundir mais uma vez, meu medo de estragar esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor. E eu vou rir quando qualquer outro me contar das suas meninas. E eu vou continuar dizendo “oi, tudo bem?, boa tarde!, que CD legal!, bom show!, tchau!”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque é isso, tenho sempre de tomar cuidado perto de você, tenho sempre que escrever com letras maiúsculas: NÃO EXISTE NINGUÉM AQUI DENTRO. Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém me olhar, meio que sem querer, acho que você vai perceber que é o meu dono. E eu não vou enganar ninguém sobre isso, eu vou deixar. Vai que um dia você acredita? 

JYLF

Nenhum comentário: