segunda-feira, 13 de junho de 2011

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"Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais."
(Ana Jácomo)


Em menos de dez minutos você se lembra de tudo. Você se lembra o motivo ou os motivos que fizeram tudo se perder. E você se lembra que não é culpado e que, talvez, os outros também não sejam. Assim é a vida. Você se lembra que o grande amor da sua vida, o maior, aquele que você nunca superou é o tipo de pessoa que faz questão de ficar longe de você só porque acha certo ficar longe de você e não só porque queira ficar longe de você. Ele prefere ser descolado a humano. E você lembra daquela sensação que sentia ao lado dele, de amor imenso e solidão profunda. E você descobre que ele acha que saudade ou vontade de fazer carinho se resume a uma ficada com uma menina qualquer e que você sentir saudade significa que se apaixonou pelo que não devia. E você percebe que a vida dele, que você tanto colocou no pedestal, pode ser um pouco boba, vazia ou até mesmo triste. Com pessoas tristes, com momentos vazios, com momentos onde ele pode esbanjar sua galinhagem, com botões de deletar de redes sociais, como se isso fosse suficiente para te deletar da vida dele e vice-versa. Com comentários sujos e amigos que o acompanham na madrugada achando que cerveja e cocaína podem ser opções legais. Em minutos você entende como ninguém o que te trouxe até aqui, tão longe dele. O que te levou a desistir do amor, dele e de parte de você. E você entende que ser um tolo apaixonado e transparente foi o seu pecado. Ser covarde foi o dele. Me senti visitando meu próprio cemitério. Com um amor morto e quase enterrado. Visitando uma pessoa daquelas que a gente desenterra de vez em quando só para ter certeza que fizemos a melhor escolha enterrando elas. Pessoas que a gente lamenta a distância, afinal, já foram tão importantes e... será que não dá mesmo para começar tudo de novo e tentar acertar dessa vez? Pessoas que a gente tenta se agarrar para não sentir que a vida caminha para frente e isso significa, ainda que muito filosoficamente, que um dia vamos morrer. O amor fica para trás, os sonhos ficam para trás e um dia seremos nós a desaparecer. Mas a lição que eu aprendi, é que não vale a pena consertar um carro ou um celular pela décima vez. É mais fácil comprar um novo e fim de papo. E deve ser assim com sentimentos. Afinal, eu bem que tentei consertar minha intensidade, amar menos, ser puro e perfeito e só ganhei mais e mais poses e menos e menos verdades. Ainda que doa deixar pessoas morrerem, se agarrar a elas é viver mal assombrado.

JYLF.

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